O debate sobre o futuro dos jogos Web3 ganhou um novo capítulo após um posicionamento direto de Kieran Warwick, uma das vozes mais relevantes da indústria. Em um tópico que rapidamente viralizou, o cofundador da Illuvium trouxe uma crítica contundente ao modelo play-to-earn (P2E) — afirmando que ele nunca foi realmente sobre diversão, mas sim sobre trabalho disfarçado de jogo.
A declaração não apenas reacendeu discussões antigas, como também trouxe uma análise mais profunda sobre o comportamento dos jogadores e os erros estruturais do setor.
🎮 O problema central do Play-to-Earn
Segundo Warwick, o maior erro do modelo P2E não está necessariamente na execução dos jogos, mas na mudança psicológica que ele causa nos jogadores.
A ideia é simples — e preocupante:
Quando você introduz dinheiro como motivação principal, o jogador deixa de jogar por diversão e passa a jogar por obrigação.
Esse fenômeno é conhecido na psicologia como efeito de superjustificação, onde recompensas externas (como dinheiro) substituem a motivação interna (diversão, curiosidade, desafio).
Na prática, isso significa que:
- Jogadores passam a otimizar ganhos, não diversão
- O jogo vira uma tarefa
- Quando as recompensas diminuem, o interesse desaparece
📉 Um ciclo que se repete na indústria Web3
O modelo P2E já mostrou esse padrão diversas vezes:
- Lançamento com hype e altos retornos
- Entrada massiva de jogadores
- Inflação do token
- Queda nos ganhos
- Abandono do jogo
Um dos exemplos mais conhecidos é Axie Infinity, que dominou o mercado em 2021, mas sofreu forte queda justamente por depender excessivamente de recompensas financeiras.
Mesmo projetos com grandes reservas enfrentaram o mesmo problema. A própria Illuvium chegou a ter cerca de US$ 1,6 bilhão em incentivos, e ainda assim não conseguiu resolver a retenção de jogadores.
⚖️ Dois caminhos possíveis (e honestos)
Ao invés de defender uma solução única, Warwick propõe dois caminhos claros — e, segundo ele, mais honestos:
💰 1. Assumir que o jogo é sobre dinheiro
Aqui, o ganho financeiro é o foco principal — e não há tentativa de disfarçar isso como diversão pura.
Esse é o caso do modo Illuvium Deathmatch, onde:
- Jogadores apostam NFTs
- Criaturas podem ser perdidas permanentemente
- O vencedor leva tudo
A proposta é direta: risco alto, recompensa alta.
Segundo Warwick:
“Eu provavelmente não jogaria sem a possibilidade de ganhar — e tudo bem.”
🌍 2. Colocar a diversão em primeiro lugar
Esse é o caminho mais difícil — mas também o mais sustentável.
A ideia é criar um jogo que funcione mesmo sem recompensas financeiras, e só depois adicionar monetização como bônus.
Esse é o objetivo do Illuvium Overworld, que foca em:
- Exploração de mundo aberto
- Captura de criaturas
- Missões e progressão
- Combates e evolução
Aqui, o lucro não é o motivo para jogar — é apenas uma consequência.
🚀 Illuvium Overworld e a aposta no “fun first”
O Overworld representa a principal aposta da Illuvium para o futuro.
O jogo está evoluindo para um modelo MMO-lite, com novidades como:
- Multiplayer cooperativo
- Raids contra chefes (Leviatãs)
- Sistema de guildas
- Economia baseada em jogadores
A proposta é clara: criar uma experiência envolvente por si só — e só então integrar elementos Web3.
🧠 Um problema mais psicológico do que técnico
O ponto mais forte da crítica de Warwick é que o problema da indústria não é tecnologia, nem economia — é comportamento humano.
Ele destaca que:
- Jogadores não nasceram “Web3 gamers”
- Eles foram condicionados a pensar em lucro
- E isso mudou completamente a forma de jogar
🔍 O impacto para o futuro dos jogos Web3
O posicionamento de Warwick é importante porque vem de dentro da própria indústria — e de um dos projetos mais financiados do setor.
A mensagem final é direta:
“Se o seu jogo não é divertido sem dinheiro, nunca foi um jogo.”
Isso coloca um desafio enorme para desenvolvedores:
- Criar experiências genuinamente divertidas
- Reduzir a dependência de recompensas financeiras
- Reequilibrar a relação entre jogo e economia
🧩 Conclusão
O modelo play-to-earn não está morto — mas claramente precisa evoluir.
A fala de Kieran Warwick funciona como um espelho para toda a indústria: não basta oferecer ganhos, é preciso oferecer experiência.
Os projetos que conseguirem fazer o jogador esquecer — mesmo que por alguns minutos — que existe dinheiro envolvido, provavelmente serão os que vão definir o futuro dos jogos Web3.

