Yuga Labs adquire a plataforma Unreal Engine e a equipe de desenvolvimento da Improbable

Web3

A Yuga Labs deu um passo estratégico decisivo para o futuro do metaverso Otherside. A empresa anunciou oficialmente a aquisição da plataforma de criação baseada em Unreal Engine que alimenta seu ambicioso projeto, anteriormente desenvolvida pela empresa de tecnologia Improbable. Além da tecnologia, grande parte da equipe original de engenheiros e desenvolvedores passará a integrar a Yuga Labs a partir do início de 2026.

O acordo também garante à Yuga uma licença perpétua da tecnologia multiplayer de alta concorrência da Improbable, elemento-chave para experiências em larga escala dentro do Otherside.


Aquisição coloca tecnologia e criadores sob controle total da Yuga

O anúncio foi feito no sábado por Greg Solano, cofundador da Yuga Labs, conhecido na comunidade como Garga, por meio da rede social X. Segundo Solano, a aquisição representa um movimento estratégico para consolidar o controle total da infraestrutura tecnológica do Otherside.

Com a plataforma agora internalizada, a Yuga Labs passa a controlar diretamente as ferramentas de criação, os ciclos de desenvolvimento e a evolução técnica do metaverso. Solano descreveu o objetivo como a construção da “melhor plataforma de criadores em cripto”, onde qualquer pessoa poderá desenvolver experiências multiplayer persistentes, com economias reais e propriedade digital total.

A internalização promete acelerar o ritmo de inovação, permitir iterações mais rápidas e ampliar os investimentos no ecossistema de criadores do Otherside.


Yuga Labs refoca no Otherside e no ecossistema BAYC

A Yuga Labs ganhou notoriedade mundial em 2021 com o lançamento do Bored Ape Yacht Club (BAYC), uma das coleções de NFTs mais icônicas do mercado web3. Nos anos seguintes, a empresa expandiu agressivamente seu portfólio, adquirindo projetos renomados como CryptoPunks, Meebits e, posteriormente, Moonbirds, além de lançar o metaverso Otherside, conectado ao universo BAYC.

No entanto, ao longo de 2025, a Yuga iniciou um movimento claro de reestruturação estratégica. A empresa vendeu diversas propriedades intelectuais adquiridas anteriormente, incluindo CryptoPunks, Meebits e Moonbirds, com o objetivo de concentrar recursos exclusivamente em seus dois pilares principais: BAYC e Otherside.

Essa mudança começou a render frutos em meados de 2025, com atualizações frequentes, novos sistemas e maior foco em jogadores, construtores e desenvolvedores.


Parceria com a Amazon e lançamento do Nexus do Otherside

Um dos movimentos mais marcantes do ano foi a parceria com a Amazon Gaming. Em outubro, a Yuga lançou o avatar Boximus, parte da série Voyager, em uma campanha inédita de NFTs voltada ao varejo tradicional. O NFT foi disponibilizado diretamente na plataforma da Amazon, marcando a primeira grande iniciativa desse tipo da Yuga Labs.

O lançamento antecedeu a inauguração oficial do Koda Nexus, ocorrida em 12 de novembro. O Nexus funciona como o hub social central do Otherside, permitindo que jogadores se encontrem, conversem e explorem o mundo de forma compartilhada.

Essa área faz parte de uma arquitetura planejada em três camadas:

  1. Camada Social (Nexus) – interação, exploração e comunidade
  2. Camada de Gameplay – missões, zonas de batalha e eventos
  3. Camada de Criação (UGC) – ferramentas completas para construtores

ODK e ferramentas de criação com IA

A terceira camada do Otherside é desbloqueada por meio do Otherside Development Kit (ODK). Lançado em meados de 2025, o ODK reduz drasticamente as barreiras técnicas para criadores, oferecendo:

  • Criação de ambientes via comandos de texto com IA
  • Acesso a quase 1.000 assets distribuídos em 29 biomas
  • Ferramentas para criação de emotes, grafites e interações personalizadas
  • Suporte a economias reais e royalties para criadores

Com a aquisição da plataforma da Improbable, toda essa stack tecnológica passa a ser controlada diretamente pela Yuga Labs.


Multiplayer em larga escala: recordes e testes extremos

O Otherside também vem se destacando por sua ambição técnica no multiplayer massivo. Em fevereiro, a Yuga organizou a demo Project Dragon, que entrou para o Guinness World Records ao reunir mais de 2.100 jogadores simultâneos em um único servidor.

Esse feito só foi possível graças à tecnologia de alta concorrência da Improbable, agora licenciada de forma permanente pela Yuga.

Outros testes importantes incluíram:

  • Bathroom Blitz (julho): shooter temático do BAYC com batalhas 8v8
  • Otherside Outbreak (agosto): teste de estresse focado em performance

Esses eventos serviram para validar infraestrutura, coletar feedback e demonstrar a viabilidade de grandes comunidades ativas em tempo real.


O que vem em 2026: economia, recursos e ApeChain

O roadmap da Yuga para 2026 aponta para uma expansão significativa da profundidade econômica do Otherside. Entre os principais destaques estão:

  • Atualização completa dos avatares Voyager
  • Mais utilidade para os Otherdeeds, NFTs de terra do jogo
  • Implementação do sistema de Recursos, permitindo:
    • Produção em terras
    • Criação de itens
    • Economia gerida pelos próprios jogadores

Esses sistemas operarão sobre a ApeChain, uma blockchain customizada desenvolvida para o ecossistema Yuga, com o $APE como moeda principal e suporte total a NFTs e padrões Ethereum.


Desenvolvedores da Improbable passam a integrar a Yuga

Além da tecnologia, a Yuga confirmou que muitos dos engenheiros e desenvolvedores que trabalharam no Otherside pela Improbable se juntarão oficialmente à empresa no início de 2026.

Esses profissionais já conhecem profundamente a plataforma e devem acelerar o ritmo de desenvolvimento agora que fazem parte da equipe interna. Segundo Solano, isso permitirá maior controle de prazos, melhor suporte aos criadores e uma evolução mais rápida do produto.


Conclusão

A aquisição da plataforma baseada em Unreal Engine e da equipe da Improbable marca um novo capítulo para a Yuga Labs. Com controle total da tecnologia, foco renovado no Otherside e uma visão clara de economia digital e criação aberta, a empresa se posiciona para transformar o metaverso em uma plataforma de jogos, criação e propriedade digital em escala global.

O ano de 2026 promete ser decisivo para o futuro do Otherside — e, possivelmente, para o próprio conceito de metaverso em web3.