O mundo do entretenimento atual é vasto a ponto de transformar praticamente qualquer interesse — por mais específico que seja — em conteúdo consumível. De vídeos sobre pintura de paredes a podcasts de nicho, tudo encontra seu público. E é justamente nessa lógica que surge The Drops of God, um animê que aposta em um tema pouco convencional: degustação de vinhos.
Produzido pelo estúdio Satelight e baseado no mangá seinen criado por Shin Kibayashi e ilustrado por Shuu Okimoto, a obra tenta transformar o universo enológico em algo dramático e competitivo. O problema? Nem sempre isso funciona.
🍷 Uma disputa digna de herança milionária
A história gira em torno de Shizuku Kanzaki, filho de um rico colecionador de vinhos com quem nunca teve muita afinidade. Após a morte do pai, ele descobre uma situação no mínimo excêntrica: o testamento revela que há um “irmão adotivo”, Issei Tomine, e que ambos devem competir para identificar os chamados “12 apóstolos dos vinhos” — além da lendária garrafa conhecida como “Gotas de Deus”.
A proposta parece interessante à primeira vista, com uma dinâmica clássica de rivalidade:
- Kanzaki: o talento bruto, porém inexperiente
- Tomine: o especialista frio e calculista
Uma estrutura que remete ao clássico “Davi vs. Golias”, mas que rapidamente cai em clichês pouco inspirados.
🎭 Drama exagerado e falta de identidade
O maior problema do primeiro episódio está no tom. O animê oscila entre um drama exagerado — quase digno de novela — e uma tentativa de seriedade típica de shounen de batalha. O resultado é uma mistura estranha e, em muitos momentos, constrangedora.
Cenas que deveriam ser impactantes acabam soando artificiais. Um exemplo marcante é o momento em que Kanzaki despeja vinho na pia enquanto chora pela morte do pai — uma sequência longa, teatral e difícil de levar a sério.
Outro destaque (não exatamente positivo) é a cena em que o protagonista “salva” um vinho ao decantá-lo de forma extremamente exagerada, enquanto efeitos sensoriais e metáforas visuais tentam transformar a degustação em algo quase… sensual. A intenção lembra obras como Food Wars! Shokugeki no Soma, mas sem o humor e a autoconsciência que fazem aquele funcionar.
😐 Falta de humor e excesso de pretensão
O grande erro de The Drops of God é levar seu conceito a sério demais. Em um universo onde animês conseguem tornar jogos de cartas ou batalhas com piões em épicos globais, faltou aqui justamente o elemento que torna essas ideias críveis: carisma e diversão.
Sem humor ou ironia suficientes, a obra se torna pesada, arrastada e pouco envolvente. O espectador é convidado a encarar a degustação de vinhos como algo quase místico — mas sem a construção necessária para sustentar esse peso dramático.
📉 Primeira impressão: difícil de digerir
Apesar do mangá original ter sido um sucesso (publicado entre 2004 e 2014, com 44 volumes), a adaptação animada não começa bem. O primeiro episódio é maçante e pouco cativante, o que pode afastar muitos espectadores logo de cara.
Enquanto alguns podem enxergar na obra um vinho raro e sofisticado, outros — como nesta primeira impressão — podem sentir algo mais próximo de um vinagre barato.
📺 Onde assistir
The Drops of God estreia oficialmente no dia 10 de abril na Crunchyroll.

