O preço do Bitcoin (BTC) segue lateralizado próximo aos US$ 91 mil, mesmo com a alta dos índices acionários dos EUA e o avanço do ouro. Enquanto isso, investidores tentam entender se o tão aguardado corte de juros do FED, esperado para 10 de dezembro, poderá finalmente destravar uma nova pernada de alta para a maior criptomoeda do mundo.
Apesar do otimismo no mercado tradicional, o BTC não conseguiu recuperar a região dos US$ 93 mil, deixando o mercado dividido entre uma possível continuação de alta — rumo aos US$ 100 mil — e o risco de uma nova correção.

A seguir, veja a análise completa do cenário macro, derivativos, ETFs e comportamento dos grandes players.
Resumo da Notícia
- Fluxo fraco de ETFs e aumento da demanda por opções de venda (puts) estão limitando o ímpeto do Bitcoin.
- Apesar de um cenário macro mais favorável, investidores ainda mostram cautela com posições compradas alavancadas.
- O mercado atribui 87% de chance a um corte de juros pelo FED em 10 de dezembro — um salto em relação aos 71% da semana anterior.
- Reservas corporativas de BTC permanecem estáveis, sem novas compras relevantes nas últimas semanas.
- A permanência do BTC acima de US$ 90 mil será decisiva para renovar a confiança do mercado.
Corte de juros do FED: o gatilho que o Bitcoin precisa?
Segundo dados do CME Group, há agora 87% de probabilidade de que o Federal Reserve realize um corte de juros na reunião de 10 de dezembro. Esse aumento das expectativas está diretamente ligado à fragilidade crescente no mercado de trabalho dos EUA.

- Pedidos contínuos de seguro-desemprego atingiram 1,96 milhão, o maior nível desde novembro.
- Investidores esperam que o FED adote uma política monetária mais expansionista para sustentar a economia.
Historicamente, cortes de juros favorecem ativos escassos como Bitcoin e ouro, já que aumentam a liquidez e reduzem o custo de oportunidade de manter ativos não produtivos.
E isso já aparece nos mercados tradicionais:
- Ouro subiu 3,8% na semana.
- Prata renovou máximas históricas.
- Ações dos EUA aproximam-se dos topos, com o S&P 500 a apenas 1% de sua máxima histórica.
Mas… por que isso não está impulsionando o Bitcoin?
BTC estagnado: derivativos e ETFs explicam a falta de força
1. Derivativos indicam cautela — e não força compradora
Mesmo com uma recuperação do apetite por risco global, os derivativos de Bitcoin mostram um mercado em alerta.
Futuros de BTC mantêm prêmio fraco
Os contratos futuros mensais de Bitcoin seguem com um prêmio anualizado de apenas 4%, abaixo do intervalo “saudável” de 5% a 10%.

Isso indica:
- Baixa demanda por posições compradas alavancadas.
- Ceticismo após a volatilidade recente — o BTC caiu 18% nos últimos 30 dias.
Mercado de opções aponta incerteza elevada
Nos últimos dias, o volume de opções de venda (put) superou com folga o volume de opções de compra.
Um mercado neutro costuma ter uma relação put/call de até 1,3x.
Atualmente, o mercado registra níveis próximos a 2x, refletindo:
- Expectativa de volatilidade.
- Busca por proteção contra quedas.
- Falta de convicção compradora das baleias.
2. ETFs de Bitcoin têm fluxo pífio
Os ETFs spot de BTC registraram apenas US$ 70 milhões de entrada líquida na última semana — um número muito fraco quando comparado ao fluxo de outubro e início de novembro.

Além disso:
- Nenhuma das grandes empresas com reservas de BTC aumentou suas posições nas últimas duas semanas.
- A SpaceX movimentou 1.163 BTC entre carteiras, levantando hipóteses de possível venda — embora não haja confirmação oficial.
Essa combinação mantém a pressão sobre o preço e reduz o impulso necessário para romper resistências importantes.
Fatores externos também influenciam o mercado
Trump promete cortes de impostos
Durante o feriado nos EUA, Donald Trump voltou a defender cortes agressivos nos impostos, financiados por tarifas de importação.
Isso elevou o apetite por risco no mercado, ajudando:
- Ouro
- Ações
- Ativos escassos
Mas novamente, o Bitcoin ainda não respondeu na mesma intensidade.
IA reduz tensões — e ajuda o mercado tradicional
Outro fator importante foi o anúncio do novo TPU personalizado do Google, que permitiu que o Gemini atingisse o topo de benchmarks em:
- programação
- matemática
- raciocínio multimodal
O fato de o chip consumir menos energia tranquilizou investidores quanto ao futuro do setor de IA.
- Ações da Alphabet (GOOG) subiram 6,8%.
- Isso compensou temores sobre a Nvidia, que vinha pesando no mercado.
Com isso, o S&P 500 avançou, mas o BTC — novamente — desconectou-se parcialmente dessa alta.
Correlação Bitcoin vs. Ações está caindo
Os gráficos mostram que a correlação entre:
- Bitcoin
- Ações de tecnologia dos EUA
está cada vez menor.
Isso significa:
- Eventos macro influenciam menos o BTC.
- O preço agora depende mais do sentimento interno do mercado cripto, especialmente ETFs e derivativos.
- O rompimento de resistências depende de fatores nativos, e não apenas macroeconômicos.
Essa independência pode ser positiva — mas por enquanto, torna o BTC mais imprevisível.
Bitcoin vai romper os US$ 91 mil? Cenário para os próximos dias
Para retomar a tendência de alta, o Bitcoin precisa:
1. Manter-se acima dos US$ 90 mil
Esse patamar virou um suporte psicológico e técnico crucial.
2. Retomar fluxo forte em ETFs
A confirmação do corte de juros pode liberar bilhões para ETFs spot.
3. Redução do medo nos derivativos
Volumes de put precisam cair; confiança das baleias precisa voltar.
4. Liquidez extra do FED
Um corte de juros pode sinalizar futuras injeções de liquidez, o que geralmente impulsiona o BTC em ciclos de risco.

Se esses fatores se alinharam, a próxima zona de resistência fica em:
- US$ 93.500
- US$ 95.000
- US$ 100.000 (alvo psicológico)
Conclusão: A chave está nos US$ 90 mil
A pergunta central permanece:
O Bitcoin conseguirá romper US$ 91 mil e iniciar um movimento rumo aos US$ 100 mil após o corte de juros do FED?
A resposta, no momento, é:
👉 Sim — mas depende criticamente da volta dos fluxos institucionais e da redução do medo nos derivativos.
Enquanto isso não ocorre, o BTC deve continuar preso entre US$ 90 mil e US$ 93 mil, aguardando um catalisador mais forte.

