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O ambicioso MMO sandbox Ashes of Creation, que por anos figurou entre os projetos mais aguardados do gênero, enfrenta agora sua maior crise desde o anúncio original. Apenas dois meses após seu lançamento em Acesso Antecipado na Steam, o jogo teve seus fundos congelados pela Valve, em meio a demissões em massa, crise de liderança e acusações graves feitas pela própria comunidade.
O caso levanta questionamentos profundos não apenas sobre o futuro do título, mas também sobre os riscos estruturais do desenvolvimento de MMORPGs modernos.
O que aconteceu com Ashes of Creation?
Lançado em 11 de dezembro de 2025 no Steam Early Access, Ashes of Creation tinha como objetivo expandir sua base de testes, gerar receita adicional e acelerar o desenvolvimento do MMO. No entanto, o que deveria ser uma nova fase de crescimento rapidamente se transformou em um colapso público.
Menos de dois meses após o lançamento, surgiram relatos de que a Steam congelou os repasses financeiros do jogo, uma medida rara que geralmente ocorre quando há risco significativo ao consumidor. Ao mesmo tempo, a comunidade passou a acusar o estúdio de um possível “rug pull” — termo usado quando desenvolvedores arrecadam dinheiro e abandonam o projeto antes de cumprir suas promessas.
Da glória do financiamento coletivo à turbulência no Acesso Antecipado
Ashes of Creation nasceu como um dos maiores sucessos da história do Kickstarter para MMOs, arrecadando mais de US$ 3,2 milhões em 2017. Sua proposta de um mundo dinâmico moldado pelas decisões dos jogadores conquistou uma base extremamente fiel ao longo dos anos.
Porém, o desenvolvimento se estendeu por quase uma década, marcado por testes alfa prolongados, mudanças frequentes de escopo e expectativas cada vez mais altas. O lançamento em Acesso Antecipado era visto como uma oportunidade de retomar a confiança — mas acabou expondo fragilidades internas.
Crise de liderança e demissões em massa
No final de janeiro de 2026, o fundador e diretor criativo Steven Sharif anunciou sua renúncia à Intrepid Studios, citando divergências éticas com o conselho sobre a condução do projeto e da empresa.
Pouco depois, vários membros seniores da equipe de desenvolvimento deixaram o estúdio. Em seguida, notificações baseadas na Lei WARN foram emitidas, efetivamente confirmando demissões em larga escala.
A dimensão dessas saídas levantou dúvidas imediatas sobre a capacidade real do estúdio de continuar o desenvolvimento do MMO em qualquer escala significativa.
Steam congela fundos e jogadores exigem respostas
Com o colapso interno se tornando público, a Valve interveio, congelando os fundos gerados pelas vendas no Steam. Embora a empresa raramente comente casos específicos, essa ação costuma estar ligada à proteção ao consumidor, especialmente quando o desenvolvimento contínuo de um jogo entra em risco.
Desde então:
- O botão de compra de Ashes of Creation desapareceu da loja da Steam
- Jogadores relatam sucesso ao solicitar reembolsos fora da política padrão
- Fóruns e redes sociais estão repletos de pedidos de transparência e explicações
A reação da comunidade
A base de jogadores, conhecida por sua lealdade ao projeto, reagiu com frustração e indignação. Muitos afirmam que o estado atual do jogo, somado ao colapso do estúdio, configura uma quebra de confiança com quem apoiou financeiramente o projeto ao longo dos anos.
A ausência de um roteiro claro, liderança definida ou garantias de continuidade só intensificou o sentimento de incerteza.
Por que isso importa para o gênero MMORPG
O caso de Ashes of Creation não é isolado. O gênero MMORPG enfrenta hoje:
- Custos de desenvolvimento altíssimos
- Prazos longos e incertos
- Dificuldade de manter equipes grandes por anos
- Expectativas crescentes dos jogadores
Mesmo projetos respaldados por grandes editoras vêm recuando. A própria Amazon colocou New World em modo de manutenção, reforçando o quão frágil se tornou a economia dos MMOs modernos.
O papel da Steam na proteção ao consumidor
O congelamento de fundos demonstra como a Steam atua como última linha de defesa dos jogadores em situações extremas. Em casos como este, a plataforma pode permitir reembolsos além das regras tradicionais de:
- 2 horas de jogo
- 14 dias após a compra
Especialmente quando há evidências claras de que o desenvolvimento contínuo está ameaçado.
O que acontece agora com Ashes of Creation?
O futuro do MMO permanece incerto. Entre os cenários possíveis estão:
- Suspensão indefinida do desenvolvimento
- Aquisição da propriedade intelectual por outro estúdio
- Tentativas de reestruturação com nova liderança
- Cancelamento silencioso do projeto
Por enquanto, os fundos congelados pela Steam representam a única garantia de proteção para os consumidores enquanto o destino do jogo é decidido.
Contexto: o que Ashes of Creation prometia
A visão original de Ashes of Creation era ousada: um mundo persistente onde cidades surgem e desaparecem conforme as ações dos jogadores, unindo PvP, PvE e economia dinâmica em um verdadeiro sandbox estruturado, construído sobre a Unreal Engine 5.
No entanto, anos de desenvolvimento instável mostraram que ambição sem sustentação financeira e organizacional pode ser tão perigosa quanto a falta de visão.
Conclusão
Este episódio entra para a história como um dos momentos mais dramáticos do desenvolvimento recente de MMORPGs — e serve como alerta tanto para estúdios quanto para jogadores sobre os riscos do financiamento prolongado e do Acesso Antecipado em projetos de alto custo.
Seguiremos acompanhando conforme essa história evolui.

